Vitorio Piffero e outros 13 são denunciados por desvio de mais de R$ 13 milhões do Inter

Promotores do MP gaúcho apresentam à imprensa a denúncia sobre irregularidades no Inter | FOTO: DIVULGAÇÃO/MP-RS
Promotores do MP gaúcho apresentam à imprensa a denúncia sobre irregularidades no Inter | FOTO: DIVULGAÇÃO/MP-RS

O Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou nesta quarta-feira o ex-presidente do Inter Vitorio Piffero e outras 13 pessoas, entre ex-dirigentes do clube e empresários, por irregularidades cometidas no clube entre 2015 e 2016.

O MP aponta que foram desviados mais de R$ 13 milhões do clube na época. Os denunciados responderão na Justiça por crimes como estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As duas denúncias referentes ao caso, assinadas pelo promotor Flávio Duarte, foram entregues na 17ª Vara Criminal de Porto Alegre. Se forem aceitas pelo juiz responsável, os denunciados se tornarão réus, e o caso vai a julgamento.

Os denunciados

  • Vitorio Piffero, ex-presidente do Inter
  • Pedro Affatato, ex-vice-presidente de Finanças do Inter
  • Emídio Ferreira, ex-vice-presidente de Patrimônio do Inter
  • Carlos Pellegrini, ex-vice-presidente de Futebol do Inter
  • Carlos Eduardo Marques, engenheiro do Inter
  • Arturo Affatato, empresário, irmão de Pedro Affatato
  • Paola Affatato, empresária, irmã de Pedro Affatato
  • Adão Silmar de Fraga Feijó, contador
  • Ricardo Bohrer Simões, empresário 
  • Carlos Alberto de Oliveira Fedato, empresário 
  • Giuliano Bertolucci, empresário 
  • Fernando Otto, empresário 
  • Rogério Braun, empresário 
  • Paulo Cezar Magalhães, treinador

Saques da tesouraria e lavagem de dinheiro

A primeira denúncia aponta que, em 200 ocasiões, Vitorio Piffero, Pedro Affatato, Emídio Ferreira, Carlos Eduardo Marques, Ricardo Bohrer Simões e Adão Silmar de Fraga Feijó desviaram R$ 12,8 milhões do clube, justificando que o valor seria destinado a obras que não foram realizadas.

Dentro desse esquema, Affatato teria feito 145 saques direto da tesouraria do clube, somando R$ 9,6 milhões.

Em um segundo momento, Piffero teria determinado que esses saques fossem feitos com a apresentação de notas fiscais. Assim, em outras 55 oportunidades, Affatato teria determinado que a tesouraria pagasse cerca de R$ 550 mil, com a apresentação de notas fiscais, além de outros R$ 2,6 milhões, repassados pelo clube para as empresas.

Pedro Affatato também é suspeito de lavagem de pelo menos R$ 3,3 milhões, em depósitos a empresa da qual é sócio, junto com Paola e Arturo.

O então dirigente ainda teria, ao lado de Ricardo Bohrer Simões e Adão Silmar de Fraga Feijó, ocultado outros R$ 2,4 milhões, em esquema envolvendo outras empresas.

Emídio Ferreira é suspeito de desviar R$ 53,4 mil, em forma de pagamentos a outras empresas.

Comissões

A segunda denúncia envolve Carlos Pellegrini, Paulo Cezar Magalhães, Rogério Luiz Braun, Giuliano Pacheco Bertolucci, Fernando Luis Otto e Carlos Alberto de Oliveira Fedato.

Pellegrini é suspeito de obter R$ 230 mil como comissões contratar os jogadores Paulo Magalhães (sobrinho de Paulo Cezar Magalhães), Cláudio Winck, Alisson Becker, Ariel Gerardo Nahuelpan Osten e Réver.

O dinheiro teria sido lavado em esquema semelhante ao descrito na primeira denúncia.

Contrapontos

O advogado Nei Breitman, que representa Vitorio Piffero, afirmou que “a respeito de fatos ilícitos eventualmente ocorridos na gestão do senhor Vitorio Piffero, ele não tinha conhecimento”.

O advogado Andrei Schmidt, representante de Pedro Affatato, disse que ainda não teve acesso à denúncia, e que quando tiver, se manifestará apenas nos autos do processo.

Jorge Teixeira, advogado de Carlos Pellegrini, afirma que provará no decorrer do processo a inocência de seu cliente.

O advogado Rafael Ariza, que representa Ricardo Bohrer Simões e Adão Silmar de Fraga Feijó, diz que se manifestará depois que tiver acesso aos autos do processo.

O empresário Giuliano Bertolucci negou ter cometido irregularidades e se colocou à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.

Aury Lopes Jr, advogado de Rogério Braun, afirma que seu cliente é inocente. 

O advogado Jonatas Silva de Souza, que representa Fernando Otto, diz que a defesa vai se manifestar após ter acesso à denúncia.

O ex-atleta Paulo Cezar Magalhães negou ter cometido irregularidades.

Emídio Ferreira, Carlos Eduardo Marques, Arturo e Paola Affatato e Carlos Alberto de Oliveira Fedato não foram localizados.

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